Os eixos do audiograma
O audiograma é um gráfico. No eixo horizontal ficam as frequências, medidas em hertz (Hz), das mais graves à esquerda para as mais agudas à direita. No eixo vertical fica a intensidade, medida em decibéis (dB), com os sons mais fracos no alto e os mais fortes embaixo.
Cada ponto marcado mostra o som mais fraco que a pessoa conseguiu ouvir naquela frequência. Por isso, quanto mais alto no gráfico estiverem os pontos, melhor é a audição. Pontos mais baixos indicam que foi preciso aumentar o volume para a pessoa perceber o som.
Os símbolos de cada orelha
Por convenção, a orelha direita costuma ser representada em vermelho, com círculos, e a esquerda em azul, com um X. Os resultados de via óssea, quando realizados, usam símbolos próprios, como sinais de menor e maior. Cada clínica pode apresentar o laudo de forma um pouco diferente, mas a lógica é a mesma.
Além do gráfico, o resultado costuma trazer uma tabela com os valores numéricos de cada frequência e, quando realizados, os testes de fala.
O que o Anexo II considera dentro do aceitável
Para fins ocupacionais, o Anexo II da NR-7 considera dentro dos limites aceitáveis os audiogramas com limiares de até 25 dB em todas as frequências testadas. Acima disso, o exame é considerado alterado em alguma frequência e precisa ser analisado com mais atenção.
Quando o rebaixamento se concentra nas frequências agudas, com o padrão típico do dano por ruído, o laudo pode trazer a expressão sugestivo de perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados. Quando o padrão é outro, o exame pode ser descrito como não sugestivo de PAIR, o que indica a necessidade de investigar outras causas.
A comparação com o exame de referência
Na audiometria ocupacional, o mais importante muitas vezes não é o exame isolado, e sim a comparação com o exame de referência do trabalhador. O Anexo II define critérios para identificar quando houve desencadeamento de uma perda, em quem tinha audição dentro do aceitável, ou agravamento, em quem já tinha alteração.
Esses critérios consideram as diferenças entre os limiares do exame atual e do exame de referência em determinadas frequências. A aplicação correta exige técnica e conhecimento da norma, por isso essa análise é responsabilidade do médico do trabalho.
O que o resultado não diz sozinho
Um audiograma alterado não significa, automaticamente, que o trabalho causou a perda. Idade, infecções de ouvido, uso de certos medicamentos, traumas, doenças e fatores genéticos também afetam a audição. Da mesma forma, um exame normal não dispensa o uso de proteção auditiva.
O resultado também não define sozinho a aptidão para o trabalho. A conclusão sobre apto ou inapto é do médico, que considera o conjunto de informações.
Próximos passos quando há alteração
Diante de um exame alterado, algumas condutas são comuns, sempre a critério médico:
- Repetição do exame para confirmar o resultado
- Encaminhamento para avaliação com otorrinolaringologista
- Revisão do uso e da adequação do protetor auricular
- Redução do intervalo entre as audiometrias
- Revisão das medidas de controle de ruído no setor
Dúvidas sobre o seu exame
Se você fez audiometria e tem dúvidas sobre o resultado, converse com o médico do trabalho da sua empresa. Empresas de Goiânia que precisam organizar a interpretação e o acompanhamento audiométrico podem falar com a Clínica e Plataforma Ocupacional pelo WhatsApp (62) 3661-0052.
Perguntas frequentes
Limiar de 30 dB em uma frequência é grave?
Não é possível avaliar um valor isolado sem o contexto do exame completo e do histórico. Quem deve interpretar é o médico.
O resultado alterado me impede de trabalhar?
Não necessariamente. Muitas pessoas com alteração auditiva seguem trabalhando, com medidas de proteção e acompanhamento. A decisão é do médico do trabalho.
Tenho direito a uma cópia do meu exame?
Sim. O trabalhador pode ter acesso aos resultados dos seus exames ocupacionais. Solicite à empresa ou ao serviço que realizou o exame.
Por que meu exame deu diferente do anterior?
Pequenas variações são esperadas. Variações maiores podem ter relação com preparo, condição do ouvido no dia ou mudança real da audição, e devem ser avaliadas pelo médico.