O princípio: impedir o acesso à zona de perigo
Zona de perigo é qualquer região dentro ou ao redor da máquina onde uma pessoa possa ser exposta a risco de lesão, como pontos de esmagamento, corte, prensagem, enroscamento ou projeção de partes. A NR-12 exige que essas zonas tenham sistemas de segurança que impeçam o acesso enquanto houver movimento perigoso.
Os sistemas de segurança incluem proteções e dispositivos de segurança, e devem ser selecionados a partir da apreciação de risco da máquina, observando as normas técnicas aplicáveis.
Proteção fixa
A proteção fixa é mantida em posição de forma permanente ou por meio de elementos de fixação que só permitem a remoção com uso de ferramentas. É indicada para partes que não precisam ser acessadas durante a operação normal, como polias, correias, engrenagens e transmissões.
Ela deve ser robusta, não pode criar novos riscos, como cantos vivos, e precisa respeitar distâncias de segurança para que a mão ou os dedos não alcancem a parte móvel por cima, por baixo ou pelas aberturas.
Proteção móvel com intertravamento
Quando o operador precisa acessar a zona de perigo com frequência, por exemplo para alimentar ou retirar peças, a proteção fixa não é prática. Nesses casos, usa-se a proteção móvel associada a dispositivos de intertravamento, que impedem o funcionamento da máquina enquanto a proteção estiver aberta e interrompem o movimento perigoso se ela for aberta.
Em máquinas cujo movimento continua por inércia após a parada, pode ser necessário intertravamento com bloqueio, que mantém a proteção travada até o movimento cessar.
Dispositivos de segurança
Além das proteções físicas, a NR-12 prevê dispositivos que detectam a presença de pessoas ou exigem determinada forma de acionamento. Os mais comuns são:
- Cortinas e barreiras de luz, que param a máquina quando algo atravessa o campo de detecção.
- Tapetes e scanners de segurança, que detectam a presença de pessoas em determinada área.
- Comandos bimanuais, que exigem as duas mãos do operador ocupadas para acionar o ciclo.
- Chaves de segurança e relés de segurança, que monitoram as proteções e os circuitos.
- Dispositivos de parada de emergência, de fácil acesso e acionamento.
Erros comuns nas adaptações
Ao adaptar máquinas antigas, algumas falhas aparecem com frequência: sensores comuns usados no lugar de componentes de segurança, intertravamentos que podem ser burlados com um simples ímã ou fita, proteções com aberturas grandes demais e botões de emergência instalados fora do alcance do operador.
Outro problema é a proteção que atrapalha a produção. Se o operador precisa abri-la a todo momento e o processo fica mais lento, a tendência é que ela seja removida. Por isso, a solução deve ser pensada com quem opera a máquina, considerando ergonomia e produtividade.
Documentação e validação
As adequações devem ser documentadas, com a apreciação de risco, os projetos ou especificações das proteções e, quando aplicável, a indicação da categoria dos sistemas de segurança. A participação de profissional legalmente habilitado é importante para dar respaldo técnico às soluções.
Para metalúrgicas, gráficas e indústrias de alimentos de Goiânia, onde é comum haver máquinas de diferentes idades lado a lado, uma padronização das soluções facilita a manutenção e o treinamento.
Depois de instaladas, as proteções e dispositivos precisam ser inspecionados periodicamente. Um intertravamento que deixou de funcionar ou uma cortina de luz desalinhada passam despercebidos se ninguém testa. Incluir esses testes no plano de manutenção preventiva, com registro, garante que o sistema de segurança continue cumprindo sua função ao longo do tempo.
Perguntas frequentes
Posso usar qualquer sensor no intertravamento?
Não. Os componentes devem ser adequados à função de segurança e à categoria definida na apreciação de risco. Sensores comuns de processo geralmente não atendem.
Proteção de acrílico é permitida?
Depende da aplicação. O material deve ter resistência adequada aos esforços e às condições de uso, sem criar novos riscos. A escolha deve ser justificada tecnicamente.
Quem deve projetar as proteções?
O ideal é que as soluções sejam definidas com base na apreciação de risco e com respaldo de profissional legalmente habilitado.
A clínica pode ajudar com a NR-12?
A Clínica e Plataforma Ocupacional oferece treinamento de NR-12 e consultoria em SST. Fale conosco pelo WhatsApp (62) 3661-0052.