O critério é a atividade, não o cargo
A obrigação nasce da tarefa executada, e não do nome que está na carteira de trabalho. Um auxiliar administrativo que sobe periodicamente em escada para organizar o estoque alto, ou um técnico de manutenção que entra em uma caixa d'água para inspeção, pode estar exposto a riscos de altura ou espaço confinado mesmo que o cargo não sugira isso.
Por isso o ponto de partida é o inventário de riscos do PGR. É nele que a empresa descreve as atividades reais de cada função. Se o PGR aponta trabalho acima de dois metros do nível inferior com risco de queda, ou entrada em espaço confinado, o PCMSO deve prever a avaliação de aptidão correspondente.
Trabalho em altura: funções mais comuns
A NR-35 considera trabalho em altura toda atividade executada acima de dois metros do nível inferior, onde haja risco de queda. Em Goiânia, onde a construção de edifícios residenciais e comerciais é intensa, esse risco aparece em muitas ocupações, tanto em obras quanto em manutenção de prédios já prontos.
- Pedreiros, armadores, carpinteiros e serventes em obras verticais
- Eletricistas que trabalham em postes, redes aéreas e subestações
- Instaladores de ar-condicionado, antenas, telhados e fachadas
- Montadores de estruturas metálicas, galpões e andaimes
- Profissionais de limpeza de fachadas e vidros
- Técnicos de telecomunicações que sobem em torres
Espaço confinado: funções mais comuns
Espaço confinado é qualquer área não projetada para ocupação humana contínua, com meios limitados de entrada e saída e ventilação insuficiente. Na região de Goiânia isso inclui silos e moegas do agronegócio, tanques de indústrias de alimentos e bebidas, galerias e poços de saneamento, reservatórios e caixas d'água de condomínios.
Na NR-33, a avaliação de aptidão não vale só para quem entra. O vigia, que permanece do lado de fora acompanhando a operação, e o supervisor de entrada também desempenham papéis críticos e devem ter sua aptidão avaliada conforme o PCMSO.
- Trabalhadores autorizados que entram no espaço
- Vigias que acompanham a entrada pelo lado de fora
- Supervisores de entrada que emitem a permissão
- Equipes de resgate designadas pela empresa
Atenção às atividades eventuais
Um erro frequente é avaliar apenas quem faz a tarefa todos os dias. O porteiro do condomínio que limpa a caixa d'água uma vez por semestre, ou o mecânico que eventualmente entra em um tanque, também precisa estar apto antes de executar a atividade. A frequência não elimina o risco.
Também vale atenção aos terceirizados. A empresa contratante deve exigir que os prestadores de serviço apresentem trabalhadores com aptidão comprovada, porque os acidentes acontecem dentro das suas instalações.
Como o RH faz o mapeamento na prática
Uma forma simples é cruzar três fontes: o inventário de riscos do PGR, as ordens de serviço ou permissões de trabalho emitidas nos últimos meses e as listas de treinamento de NR-35 e NR-33. Quem foi treinado ou recebeu permissão de trabalho precisa ter a aptidão registrada no ASO.
Depois do mapeamento, o médico responsável pelo PCMSO define os exames e a periodicidade. Isso evita tanto a falta de avaliação quanto o excesso de exames para quem não precisa.
Perguntas frequentes
Quem trabalha em escada precisa de avaliação psicossocial?
Depende da altura e do risco de queda. Atividades acima de dois metros do nível inferior com risco de queda se enquadram na NR-35 e exigem aptidão específica. O PGR deve analisar cada situação.
Terceirizados também precisam?
Sim. Se executam trabalho em altura ou em espaço confinado, precisam de aptidão avaliada pela empresa empregadora deles. A contratante deve conferir essa documentação antes de liberar o serviço.
O vigia de espaço confinado precisa ser avaliado mesmo sem entrar?
Sim, o vigia tem papel essencial na segurança da operação e deve ter sua aptidão avaliada conforme definido no PCMSO, assim como o supervisor de entrada.
Como saber se minha empresa em Goiânia tem funções nessa situação?
Comece pelo PGR e pelas permissões de trabalho. Se precisar de ajuda para fazer esse levantamento, fale com a clínica pelo WhatsApp (62) 3661-0052.