Por que a vedação é tão importante
Os respiradores do tipo pressão negativa, como a PFF2 e as peças semifaciais com filtro, funcionam assim: ao inspirar, o trabalhador puxa o ar através do filtro. Se houver qualquer fresta entre a peça e o rosto, o ar segue o caminho mais fácil e entra sem ser filtrado.
Formato do rosto, tamanho da peça, cicatrizes, barba e até a forma de colocar as tiras influenciam a vedação. Por isso, não basta comprar um bom modelo: é preciso confirmar, pessoa por pessoa, se ele se ajusta.
Ensaio qualitativo
No ensaio qualitativo, o trabalhador coloca o respirador e entra em uma espécie de capuz, onde é nebulizada uma substância com sabor ou odor característico, como sacarina, que tem gosto doce, ou benzoato de denatônio, que é bem amargo. Antes, verifica-se se ele consegue sentir a substância sem o respirador.
Durante o teste, o trabalhador faz uma sequência de exercícios: respira normalmente e profundamente, vira a cabeça, movimenta para cima e para baixo, fala em voz alta e se curva. Se sentir o gosto em algum momento, a vedação falhou. É um método simples e muito usado para peças semifaciais.
Ensaio quantitativo
O ensaio quantitativo usa equipamento que mede a concentração de partículas fora e dentro do respirador, calculando um fator de vedação numérico. Ele não depende da percepção do trabalhador e é indicado especialmente para peças faciais inteiras e situações em que se exige maior nível de proteção.
Os protocolos, exercícios e critérios de aprovação de cada método estão descritos nas recomendações técnicas da Fundacentro e em normas internacionais de referência, e devem ser seguidos por quem realiza o ensaio.
Ensaio de vedação não é verificação de vedação
Existe uma diferença importante entre dois procedimentos. O ensaio de vedação é feito periodicamente, com método qualitativo ou quantitativo, para escolher o modelo e o tamanho adequados para cada pessoa.
A verificação de vedação é um teste rápido que o próprio trabalhador faz toda vez que coloca o respirador, cobrindo a superfície filtrante ou as entradas de ar e verificando se a peça se ajusta ao inspirar e expirar. Uma não substitui a outra, e as duas devem ser ensinadas no treinamento.
Quando fazer e quando repetir
O ensaio deve ser feito antes de o trabalhador começar a usar o respirador e repetido periodicamente, conforme o PPR da empresa e as recomendações técnicas. Também deve ser refeito em algumas situações:
- Troca de modelo, marca ou tamanho do respirador.
- Mudança significativa de peso do trabalhador.
- Cirurgias, tratamentos dentários ou cicatrizes que alterem o formato do rosto.
- Relato de desconforto ou percepção de odor do contaminante durante o uso.
- Inclusão de novos trabalhadores na função.
Barba e outros cuidados
Pelos faciais na região em que a peça encosta no rosto impedem a vedação de respiradores que dependem desse contato. Isso vale para barba, cavanhaque largo e até barba por fazer de alguns dias. Para trabalhadores que não podem ou não querem tirar a barba, existem alternativas, como respiradores motorizados com capuz, que não dependem da vedação facial. A empresa deve tratar o tema com respeito e clareza, explicando o motivo técnico.
Em empresas de Goiânia com grande rotatividade, como na construção civil, vale incluir o ensaio de vedação no processo de integração dos novos trabalhadores, junto com o exame admissional e o treinamento.
Perguntas frequentes
A PFF2 descartável precisa de ensaio de vedação?
Sim. A PFF2 depende do ajuste ao rosto como qualquer peça semifacial. O ensaio indica se aquele modelo e tamanho servem para o trabalhador.
O ensaio precisa ser registrado?
Sim. O registro deve indicar o trabalhador, o modelo e tamanho testados, o método usado, o resultado e a data. Esses documentos fazem parte do PPR.
Quem reprova no ensaio fica impedido de trabalhar?
Não necessariamente. Primeiro testam-se outros modelos e tamanhos. Se nenhum servir, avalia-se outro tipo de proteção, como respiradores motorizados.
Como organizar o ensaio de vedação em Goiânia?
Para conversar sobre o PPR e os ensaios da sua equipe, fale com a Clínica e Plataforma Ocupacional pelo WhatsApp (62) 3661-0052.