PPR

PFF2, semifacial ou facial inteira? Seleção de respiradores para empresas de Goiânia

Não existe respirador bom para tudo. A máscara que protege um pedreiro da poeira de concreto não protege um pintor dos vapores de solvente. A seleção correta depende do contaminante, da concentração no ambiente, da atividade e de quem vai usar. Veja como esse raciocínio funciona.

Programa de Proteção Respiratória4 min de leituraGoiânia/GO

Primeira pergunta: qual é o contaminante

Os contaminantes do ar se dividem, de forma simplificada, em particulados e gases ou vapores. Particulados incluem poeiras, fumos metálicos de solda, névoas e agentes biológicos. Gases e vapores incluem solventes, amônia, cloro e outros produtos químicos que se dispersam no ar.

Filtros para partículas não retêm gases e vapores, e cartuchos químicos não retêm partículas. Quando há os dois tipos de contaminante, como em pintura a pistola, pode ser necessário um filtro combinado. Por isso, conhecer os produtos usados, pelas fichas com dados de segurança, e o processo de trabalho é o ponto de partida.

Classes de filtros e cartuchos

Para particulados, as peças semifaciais filtrantes são classificadas como PFF1, PFF2 e PFF3, e os filtros para partículas usados em peças com filtro substituível como P1, P2 e P3. Quanto maior o número, maior a eficiência de filtração. A PFF2 é a mais usada em poeiras de construção e em ambientes de saúde, mas não é a escolha automática para todos os casos.

Para gases e vapores, os cartuchos químicos são específicos para cada família de contaminantes, como vapores orgânicos, gases ácidos ou amônia, e costumam ser identificados por cores e códigos definidos em normas técnicas. Um cartucho para vapores orgânicos não protege contra amônia, por exemplo.

Tipos de peça facial

Além do filtro, é preciso escolher a peça que fica no rosto. As principais opções são:

  • Peça semifacial filtrante, a PFF, descartável, que cobre nariz e boca.
  • Peça semifacial com filtros ou cartuchos substituíveis, reutilizável.
  • Peça facial inteira, que cobre também os olhos e oferece maior proteção.
  • Respiradores purificadores de ar motorizados, em que um ventilador força o ar pelos filtros.
  • Respiradores de adução de ar, com linha de ar comprimido ou cilindro, para atmosferas mais perigosas.

Concentração e fator de proteção

Cada tipo de respirador tem um fator de proteção atribuído, que indica quantas vezes ele é capaz de reduzir a concentração do contaminante quando bem ajustado e usado corretamente. Peças semifaciais têm fator menor do que peças faciais inteiras, e equipamentos motorizados ou com suprimento de ar podem oferecer proteção maior.

Para escolher, o profissional compara a concentração medida no ambiente com o limite de exposição do contaminante e verifica se o fator de proteção do respirador é suficiente. Sem avaliação ambiental, a seleção fica baseada em suposição. Os valores de referência estão nas recomendações da Fundacentro e devem ser aplicados por profissional habilitado.

Situações que exigem atenção especial

Atmosferas com deficiência de oxigênio, como em alguns espaços confinados, ou com concentrações imediatamente perigosas à vida ou à saúde, não admitem respiradores purificadores de ar. Nesses casos, são necessários equipamentos com suprimento de ar, além dos procedimentos da NR-33 quando se tratar de espaço confinado.

Também é preciso considerar o calor, o esforço físico, o tempo de uso, a necessidade de comunicação e a compatibilidade com óculos, capacete e protetor auditivo. Em Goiânia, com temperaturas elevadas em boa parte do ano, o conforto térmico influencia muito a adesão ao uso.

Certificado de Aprovação e ajuste ao rosto

Todo respirador fornecido como EPI precisa ter Certificado de Aprovação válido, conforme a NR-6. Vale conferir o CA antes da compra e verificar se ele corresponde ao modelo e aos filtros adquiridos.

Outro ponto importante é ter mais de um modelo ou tamanho disponível. Rostos diferentes exigem peças diferentes, e é o ensaio de vedação que confirma qual modelo se ajusta a cada trabalhador.

Perguntas frequentes

PFF2 serve para pintura com solvente?

Não. A PFF2 comum retém partículas, mas não vapores orgânicos. Para solventes, é necessário respirador com cartucho químico adequado, às vezes combinado com filtro para partículas.

Existe PFF2 com carvão ativado?

Existem modelos com camada de carvão que reduzem odores incômodos, mas eles não substituem cartuchos químicos quando há exposição relevante a vapores. A seleção deve considerar o CA e a indicação do fabricante.

Quem deve fazer a seleção do respirador?

O responsável pelo PPR, normalmente com apoio de profissionais de segurança do trabalho, com base nas avaliações do PGR e nas recomendações técnicas da Fundacentro.

A clínica orienta sobre respiradores em Goiânia?

A Clínica e Plataforma Ocupacional atua em segurança e medicina do trabalho e pode ajudar a organizar o PPR. Fale conosco pelo WhatsApp (62) 3661-0052.

Equipe técnica da Clínica e Plataforma OcupacionalConteúdo informativo sobre saúde e segurança do trabalho. Para o caso da sua empresa, fale com um de nossos profissionais.