Ergonomia e AET

Logística e armazenagem em Goiânia: riscos ergonômicos de separadores, conferentes e motoristas

Pela posição central no país e pelas rodovias que cortam a região, Goiânia e cidades vizinhas reúnem muitos centros de distribuição, atacadistas e transportadoras. O trabalho nesses locais tem riscos ergonômicos característicos. Veja quais são e como tratá-los.

Avaliação Ergonômica Preliminar e Análise Ergonômica do Trabalho (NR-17)4 min de leituraGoiânia/GO

Um setor com ritmo intenso

A logística vive de prazos. A separação de pedidos, a conferência e o carregamento precisam acompanhar janelas de entrega cada vez mais curtas, especialmente com o crescimento do comércio eletrônico. Esse ritmo, somado ao esforço físico, faz do setor um dos que mais registram lesões musculoesqueléticas.

Os riscos não estão apenas no peso das caixas. A organização do trabalho, com metas de produtividade por hora e sistemas que controlam cada movimento, também pesa na saúde dos trabalhadores.

Separação de pedidos

Na separação, o trabalhador percorre longas distâncias, pega itens em prateleiras de alturas variadas e monta volumes. Os pontos críticos são as pegas abaixo do joelho e acima dos ombros, a frequência de levantamentos e o peso acumulado ao longo do turno.

Organizar o armazém pelo critério ergonômico, colocando os itens mais pesados e mais movimentados na faixa entre a cintura e o peito, reduz bastante o esforço. Carrinhos adequados e a limitação do peso por volume também ajudam.

Carga e descarga

A carga e descarga manual de caminhões e contêineres é uma das tarefas mais pesadas do setor. O espaço confinado do baú obriga a posturas curvadas, e o ritmo costuma ser alto para liberar a doca. Mercadorias a granel, como sacarias, são especialmente exigentes.

Soluções como esteiras extensíveis, paletização, niveladores de doca e equipes dimensionadas ao volume transformam a tarefa. A NR-11, que trata de transporte e movimentação de materiais, também se aplica a essas atividades.

  • Paletização sempre que possível.
  • Esteiras extensíveis para baús.
  • Niveladores de doca em bom estado.
  • Dimensionamento de equipe conforme o volume.
  • Pausas em tarefas de alta exigência física.

Operadores de empilhadeira e conferentes

Operadores de empilhadeira ficam sentados por longos períodos, com vibração e torção frequente do tronco para olhar para trás. Assentos em bom estado, com ajustes e amortecimento, e espelhos ou câmeras reduzem essa sobrecarga.

Conferentes alternam entre ficar em pé, caminhar e usar coletores de dados. O peso e o formato do coletor, o uso contínuo do gatilho e o tempo em pé devem ser considerados na avaliação.

Motoristas e entregadores

Motoristas de caminhão e de veículos de entrega acumulam horas sentados, com vibração e jornadas longas, além de descarregar mercadorias em clientes. Entregadores urbanos de Goiânia enfrentam calor, trânsito e múltiplas paradas com subida e descida do veículo.

Ajuste do assento, planejamento de rotas com pausas e equipamentos auxiliares para a descarga são medidas importantes. Para motoristas profissionais, existem também regras próprias de jornada e exames específicos, como o toxicológico.

Metas e organização do trabalho

Metas de produtividade são parte da logística, mas precisam considerar a capacidade humana. Metas definidas apenas pelo sistema, sem considerar as condições reais, incentivam pressa, pulam pausas e aumentam lesões e acidentes.

A AET é a ferramenta adequada para avaliar se as metas e o ritmo são compatíveis com a saúde, especialmente em operações com afastamentos recorrentes.

Calor nos galpões e turnos noturnos

Galpões com cobertura metálica e pouca ventilação ficam muito quentes nas tardes de Goiânia, principalmente entre agosto e outubro. O calor aumenta a fadiga, reduz a atenção e torna o esforço físico mais pesado. Ventilação, pontos de hidratação e a programação das tarefas mais pesadas para horários mais frescos ajudam a reduzir o impacto.

Muitos centros de distribuição também operam à noite para atender às entregas da manhã. O trabalho noturno altera o sono e a alimentação e soma-se aos demais fatores ergonômicos. A escala, as pausas e o acompanhamento médico devem levar isso em conta, e o PGR deve registrar essas condições.

Perguntas frequentes

Existe peso máximo por caixa no armazém?

A NR-17 não fixa um número único. O peso deve ser avaliado junto com frequência, postura e distância. A CLT traz limites máximos, que não garantem segurança.

Trabalhadores temporários de fim de ano precisam de avaliação?

Sim. Temporários estão expostos aos mesmos riscos e devem ser incluídos nas medidas de prevenção e nos exames ocupacionais.

Exoesqueletos são uma boa solução?

São uma tecnologia em evolução, com aplicações específicas. Antes de adotá-los, é preferível reduzir o esforço na própria tarefa.

Metas por hora são proibidas?

Não. Mas devem considerar a capacidade dos trabalhadores e as exigências da NR-17 sobre organização do trabalho.

A clínica atende empresas de logística?

A Clínica e Plataforma Ocupacional atua em medicina e segurança do trabalho em Goiânia, na Av. T-63, nº 1981, Nova Suíça. Fale pelo WhatsApp (62) 3661-0052.

Equipe técnica da Clínica e Plataforma OcupacionalConteúdo informativo sobre saúde e segurança do trabalho. Para o caso da sua empresa, fale com um de nossos profissionais.