Por que o setor tem norma própria
O trabalho em frigoríficos combina fatores de risco intensos: movimentos repetitivos em alta frequência, uso de facas, ambientes frios e úmidos, ritmo ditado pela linha de produção, levantamento de cargas e posturas forçadas. Esse conjunto está associado a uma alta incidência de lesões musculoesqueléticas.
Por isso foi criada a NR-36, específica para empresas de abate e processamento de carnes e derivados destinados ao consumo humano. Ela não substitui a NR-17, mas traz exigências detalhadas para a realidade do setor.
Pausas psicofisiológicas
Um dos pontos centrais da NR-36 são as pausas psicofisiológicas para trabalhadores em atividades com exigência de repetitividade ou sobrecarga muscular. A norma define a quantidade e a duração das pausas conforme a jornada, e estabelece que elas devem ser usufruídas fora do posto, em local adequado.
Os detalhes estão no texto da norma e devem ser conferidos na redação vigente. O que importa destacar é que as pausas são obrigatórias, devem estar distribuídas ao longo da jornada e não podem ser trocadas por outras atividades.
Rodízio de atividades
A NR-36 incentiva o rodízio entre tarefas que exijam grupos musculares diferentes, como forma de reduzir a sobrecarga. Mas o rodízio só funciona quando as tarefas são de fato diferentes. Trocar um trabalhador de uma linha de desossa para outra com os mesmos movimentos não alivia a carga.
O planejamento do rodízio deve ser baseado em análise ergonômica e contar com a participação dos trabalhadores e do serviço de saúde.
Postos, ferramentas e ambiente
A norma aborda a altura das bancadas e das esteiras, o espaço para movimentação, a possibilidade de alternância de postura, os assentos para trabalho sentado ou para descanso e o fornecimento de ferramentas adequadas. Facas bem afiadas, por exemplo, reduzem o esforço do punho, e por isso a norma trata da afiação e da manutenção.
O ambiente frio exige vestimentas adequadas e atenção ao conforto térmico. A combinação de frio e repetitividade aumenta o risco de lesões, o que reforça a importância das pausas em locais aquecidos.
- Bancadas e esteiras em altura adequada.
- Ferramentas com manutenção e afiação regulares.
- Vestimentas para ambientes frios.
- Assentos e locais de descanso.
- Rodízio planejado com base em análise ergonômica.
Análise ergonômica no setor
A NR-36 exige que as empresas do setor realizem análise ergonômica do trabalho, considerando as particularidades da atividade, o ritmo das linhas e os dados de saúde. Na prática, frigoríficos de médio e grande porte precisam de um trabalho de ergonomia contínuo, e não de um documento pontual.
Mudanças na linha, como aumento de velocidade, novos cortes ou novos equipamentos, devem ser precedidas ou acompanhadas de avaliação ergonômica.
Integração com o PCMSO
O acompanhamento médico tem papel essencial na detecção precoce de lesões. A NR-36 traz orientações para o PCMSO no setor, incluindo a análise dos dados de saúde por setor e função. Queixas registradas cedo permitem intervir antes que se transformem em afastamentos longos.
Para empresas da região de Goiânia, ter a medicina do trabalho e a ergonomia trabalhando juntas facilita esse acompanhamento e a resposta rápida aos sinais de sobrecarga.
Perguntas frequentes
A NR-36 vale para açougues e supermercados?
A NR-36 se aplica a empresas de abate e processamento de carnes e derivados. Açougues e setores de supermercado seguem, em regra, a NR-17 e demais normas aplicáveis. Confirme o enquadramento com um profissional.
As pausas da NR-36 substituem o intervalo de almoço?
Não. As pausas psicofisiológicas são adicionais ao intervalo para repouso e alimentação.
Ginástica laboral cumpre a exigência de pausas?
Atividades durante a pausa podem ser oferecidas, mas a norma trata a pausa como tempo de recuperação. Verifique as condições previstas na NR-36.
Frigoríficos têm outros riscos além dos ergonômicos?
Sim, como frio, ruído, agentes biológicos, amônia em sistemas de refrigeração e máquinas. Esses riscos devem constar no PGR e no PCMSO.
A clínica atende indústrias de alimentos?
A Clínica e Plataforma Ocupacional atua em medicina e segurança do trabalho em Goiânia e região. Fale pelo WhatsApp (62) 3661-0052.