O kit depende dos riscos da empresa
A norma não traz uma lista fechada de itens. Ela determina que o material seja compatível com as características da atividade. Um escritório, uma cozinha industrial, uma serralheria e um canteiro de obras têm riscos diferentes e, portanto, kits diferentes.
O ponto de partida é o PGR da empresa: quais acidentes são mais prováveis? Cortes, queimaduras, quedas, contato com produtos químicos, picadas de insetos em áreas externas? A partir dessa análise, com apoio do médico do trabalho responsável pelo PCMSO, define-se o conteúdo.
Itens básicos que costumam fazer parte
Como referência geral, a maioria dos kits empresariais inclui materiais para limpeza e cobertura de ferimentos, controle de sangramentos e imobilização simples. Exemplos comuns:
- Luvas descartáveis de procedimento, em mais de um tamanho.
- Gazes estéreis, compressas e ataduras de crepe.
- Esparadrapo ou fita microporosa e curativos adesivos.
- Soro fisiológico para limpeza de ferimentos e lavagem dos olhos.
- Tesoura de ponta romba.
- Máscara ou barreira de proteção para ventilação de resgate.
- Bolsa térmica ou compressa fria instantânea.
- Talas moldáveis para imobilização provisória.
- Lista de telefones de emergência: SAMU 192 e Bombeiros 193.
O que não colocar no kit
Um erro comum é transformar o kit em uma pequena farmácia, com analgésicos, anti-inflamatórios, antialérgicos e pomadas. A administração de medicamentos deve seguir orientação médica, e a pessoa treinada em primeiros socorros não deve prescrever ou oferecer remédios aos colegas.
Também devem ficar de fora produtos de eficácia duvidosa ou que podem piorar lesões, como pomadas caseiras para queimaduras, pó de café para estancar sangue ou algodão diretamente sobre ferimentos abertos.
Riscos específicos pedem itens específicos
Empresas que manipulam produtos químicos podem precisar de lava-olhos e chuveiros de emergência próximos aos postos de trabalho. Cozinhas industriais e restaurantes precisam pensar em queimaduras. Atividades externas, comuns em obras e no agronegócio do entorno de Goiânia, podem exigir atenção a picadas de animais peçonhentos, sempre com a orientação de buscar atendimento imediato.
Locais com grande circulação de pessoas, como shoppings, academias, faculdades e condomínios, podem avaliar a instalação de desfibrilador externo automático, o DEA, acompanhado de treinamento da equipe.
Onde guardar e quem cuida
O kit deve ficar em local de fácil acesso, sinalizado, protegido de calor e umidade e conhecido por todos. Em empresas com vários pavimentos ou setores distantes, pode ser necessário mais de um kit. Trancar o material em uma sala que só abre em horário comercial é um problema para quem trabalha em turnos.
A norma prevê que o material fique aos cuidados de pessoa treinada. Essa pessoa deve conferir periodicamente os itens, repor o que foi usado, descartar produtos vencidos e registrar as verificações.
Kit sem treinamento não resolve
De nada adianta um kit completo se ninguém sabe usá-lo. O ideal é que a empresa tenha trabalhadores treinados em primeiros socorros em todos os turnos e que todos saibam como acionar o SAMU e os Bombeiros. O kit é apoio para os primeiros minutos, nunca substituto do atendimento médico.
Perguntas frequentes
A empresa pode ter remédios no kit?
Não é recomendado. A administração de medicamentos deve seguir orientação médica. O kit é para materiais de primeiros socorros, não para tratamento.
Com que frequência o kit deve ser conferido?
Defina uma rotina periódica de conferência e sempre revise após cada uso. Itens vencidos ou abertos devem ser substituídos.
Pequenos comércios também precisam de kit?
Sim. A NR-7 vale para empregadores em geral, e o conteúdo pode ser mais simples, proporcional aos riscos do estabelecimento.
Veículos da empresa precisam de kit?
Equipes externas, como técnicos de manutenção e vendedores que rodam pela região metropolitana de Goiânia, podem precisar de um kit compacto no veículo. A necessidade deve ser avaliada conforme os riscos da atividade.
Como treinar quem cuida do kit?
A Clínica e Plataforma Ocupacional oferece treinamentos e exames ocupacionais em Goiânia. Para conversar sobre primeiros socorros na sua empresa, chame no WhatsApp (62) 3661-0052.