PCA

Dosimetria de ruído: como medir a exposição dos trabalhadores em Goiânia

Sem uma medição bem feita, todo o Programa de Conservação Auditiva fica apoiado em suposições. A avaliação de ruído define quem precisa de protetor, quem entra no monitoramento audiométrico e se há insalubridade. Por isso vale entender como ela é feita e o que observar no relatório.

Programa de Conservação Auditiva4 min de leituraGoiânia/GO

Decibelímetro e dosímetro não são a mesma coisa

O decibelímetro, ou medidor de nível de pressão sonora, mede o ruído em um ponto e em um instante. É útil para mapear fontes, comparar máquinas e verificar o efeito de uma melhoria, como uma barreira acústica.

O dosímetro de ruído acompanha o trabalhador durante a jornada, normalmente preso ao ombro, perto do ouvido. Ele integra todas as variações de ruído ao longo do tempo e calcula a dose de exposição. Como a maioria dos trabalhadores se movimenta e as máquinas não funcionam o tempo todo, a dosimetria costuma ser a forma mais representativa de avaliar a exposição ocupacional.

Qual metodologia deve ser seguida

A NR-9 determina que as avaliações de agentes físicos sigam metodologias reconhecidas. Para ruído, a referência técnica mais usada no Brasil é a NHO-01 da Fundacentro, que define parâmetros de medição, critérios de referência e forma de cálculo da exposição.

Para fins de caracterização de insalubridade, a NR-15 e seu Anexo 1 continuam sendo a base. Já para enquadramento previdenciário, como aposentadoria especial e informações no eSocial, existem regras próprias que também fazem referência a metodologias técnicas. Por isso, o profissional responsável precisa deixar claro no relatório qual metodologia e quais parâmetros foram usados.

O que torna uma medição representativa

Um dos erros mais comuns é medir em um dia atípico, com produção reduzida ou máquinas paradas. Uma boa avaliação considera a rotina real. Alguns pontos merecem atenção:

  • Medir durante uma jornada típica, com as máquinas e o volume de produção habituais.
  • Cobrir uma parte significativa da jornada, ou justificar tecnicamente o período amostrado.
  • Registrar as atividades realizadas pelo trabalhador durante a medição.
  • Usar equipamento calibrado, com certificado de calibração válido e verificação antes e depois da medição.
  • Agrupar os trabalhadores em grupos de exposição similar coerentes com a realidade.

Como ler o resultado

O relatório normalmente apresenta a dose de ruído e o nível de exposição normalizado para uma jornada de referência. Esses números são comparados com o nível de ação e com o limite de tolerância.

Abaixo do nível de ação, a exposição é considerada aceitável, mas deve ser reavaliada quando houver mudanças. A partir do nível de ação, a empresa precisa adotar medidas preventivas, incluindo acompanhamento audiométrico. Acima do limite de tolerância, além das medidas de controle obrigatórias, pode haver caracterização de insalubridade, a ser confirmada em laudo próprio.

Quando medir novamente

A medição não é um evento único. Ela deve ser repetida quando houver troca ou inclusão de máquinas, mudança de layout, alteração no processo, aumento de produção ou novos turnos. Também é recomendável reavaliar quando o monitoramento audiométrico mostrar casos de desencadeamento ou agravamento de perda auditiva.

Em Goiânia, onde muitas empresas de confecção, alimentos e construção ajustam o ritmo conforme a sazonalidade, uma medição feita na baixa temporada pode subestimar a exposição real. Vale planejar as avaliações considerando os períodos de maior produção.

Integração com o PGR, o LTCAT e o PCMSO

O resultado da dosimetria alimenta vários documentos. No PGR, ele compõe o inventário de riscos e o plano de ação. No LTCAT, serve de base para as informações previdenciárias. No PCMSO, define quem precisa do controle audiométrico previsto na NR-7.

Quando cada documento usa uma medição diferente, ou valores desencontrados, surgem inconsistências que chamam atenção em fiscalizações e processos. O ideal é que todos partam da mesma avaliação, atualizada e bem documentada.

Perguntas frequentes

Um aplicativo de celular serve para medir ruído?

Aplicativos podem dar uma ideia inicial, mas não substituem equipamentos calibrados e não têm validade técnica para laudos e programas de SST.

É preciso medir todos os trabalhadores?

Não necessariamente. A avaliação pode ser feita por grupos de exposição similar, desde que a amostragem seja tecnicamente justificada e represente bem cada grupo.

Quem pode fazer a dosimetria?

Profissionais de segurança do trabalho com formação e equipamentos adequados, como engenheiros e técnicos de segurança, assinando o relatório conforme suas atribuições.

Como integrar a medição ao PCMSO?

A medição deve ser enviada ao médico responsável pelo PCMSO para definir o controle audiométrico. Se precisar de apoio em Goiânia, fale com a Clínica e Plataforma Ocupacional pelo WhatsApp (62) 3661-0052.

Equipe técnica da Clínica e Plataforma OcupacionalConteúdo informativo sobre saúde e segurança do trabalho. Para o caso da sua empresa, fale com um de nossos profissionais.