Ergonomia e AET

Riscos psicossociais no trabalho: como as empresas de Goiânia devem incluí-los na gestão de riscos

Metas abusivas, sobrecarga, falta de autonomia e conflitos constantes adoecem tanto quanto uma máquina sem proteção. A legislação brasileira passou a tratar esses fatores de forma mais explícita na gestão de riscos. Veja o que muda e como começar na sua empresa.

Avaliação Ergonômica Preliminar e Análise Ergonômica do Trabalho (NR-17)4 min de leituraGoiânia/GO

O que são riscos psicossociais

Riscos psicossociais são fatores ligados à forma como o trabalho é organizado, gerido e vivido que podem causar danos à saúde mental e física. Eles não dizem respeito à personalidade do trabalhador, e sim às condições de trabalho.

Alguns exemplos são excesso de demandas, metas inalcançáveis, jornadas longas, falta de clareza sobre o papel de cada um, pouca autonomia, falta de apoio da liderança, assédio, isolamento e insegurança constante. Esses fatores estão associados a quadros como ansiedade, depressão, esgotamento profissional e também a problemas físicos, como dores musculares.

O que a legislação diz

A NR-17 já tratava da organização do trabalho como parte da ergonomia, incluindo ritmo, metas, pausas e conteúdo das tarefas. A NR-1, que rege o gerenciamento de riscos ocupacionais, foi atualizada para mencionar de forma expressa os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no processo de identificação e avaliação de riscos.

O início da exigência dessa atualização foi adiado pelo governo, com previsão de período inicial de caráter orientativo. Como o cronograma de fiscalização pode mudar, é recomendável confirmar a situação vigente com um profissional de SST. De todo modo, a tendência é clara: o tema passou a fazer parte do PGR.

Como identificar os riscos na empresa

A identificação começa com informações que a empresa já tem: atestados e afastamentos por transtornos mentais, rotatividade por setor, absenteísmo, reclamações em canais internos e resultados de pesquisas de clima. Padrões concentrados em um setor ou sob uma mesma liderança são sinais importantes.

Em seguida, podem ser usados questionários validados, entrevistas e grupos de conversa com os trabalhadores. A observação da organização do trabalho, típica da ergonomia, ajuda a entender as causas por trás dos números.

  • Afastamentos e atestados por saúde mental.
  • Rotatividade e absenteísmo por setor.
  • Denúncias e reclamações internas.
  • Questionários e entrevistas com trabalhadores.
  • Análise de metas, jornadas e fluxos de trabalho.

Do diagnóstico ao plano de ação

Identificados os fatores, eles devem ser avaliados e incluídos no inventário de riscos e no plano de ação do PGR, como qualquer outro risco. As medidas mais eficazes atuam na organização do trabalho: redistribuir demandas, revisar metas, ajustar escalas, clarificar responsabilidades, capacitar lideranças e criar canais seguros de comunicação.

Ações voltadas apenas ao indivíduo, como palestras sobre resiliência ou aplicativos de meditação, podem complementar, mas não substituem mudanças na forma como o trabalho é organizado.

Setores com maior atenção em Goiânia

Alguns setores concentram fatores de risco psicossociais com mais frequência: centrais de atendimento, hospitais e clínicas, bancos e financeiras, varejo com metas agressivas, escolas e transporte. Em Goiânia, essas atividades empregam um grande número de pessoas, e afastamentos por transtornos mentais costumam ter impacto significativo nos custos e na produtividade.

Mas o tema não se restringe a grandes empresas. Em equipes pequenas, a sobrecarga e o relacionamento com a liderança também pesam, às vezes de forma mais direta.

O papel da medicina do trabalho

O PCMSO pode contribuir com dados de saúde que ajudem a identificar padrões ligados ao trabalho, sempre preservando o sigilo médico. O médico do trabalho também orienta sobre retorno ao trabalho após afastamentos por saúde mental, um momento sensível que exige planejamento.

A integração entre medicina do trabalho, ergonomia e RH é o que permite transformar informações dispersas em ações concretas.

Perguntas frequentes

Avaliação psicossocial da NR-35 é a mesma coisa?

Não. A avaliação psicossocial exigida para trabalho em altura e espaço confinado avalia o trabalhador para uma atividade específica. A gestão de riscos psicossociais avalia as condições de trabalho da organização.

Pesquisa de clima serve como avaliação de riscos psicossociais?

Pode ser uma fonte de informação, mas normalmente não é suficiente sozinha. A avaliação deve identificar fatores de risco e relacioná-los a medidas de controle.

Pequena empresa também precisa avaliar?

A gestão de riscos da NR-1 alcança as organizações em geral, com tratamento diferenciado para pequenos negócios em alguns pontos. Confirme o enquadramento com um profissional.

Afastamento por esgotamento profissional pode ser considerado doença do trabalho?

Pode, quando há relação com as condições de trabalho. A caracterização depende de avaliação médica e, no âmbito previdenciário, da análise do INSS.

A clínica ajuda a incluir os riscos psicossociais no PGR?

A Clínica e Plataforma Ocupacional atua em medicina e segurança do trabalho em Goiânia. Para conversar sobre o tema, chame pelo WhatsApp (62) 3661-0052.

Equipe técnica da Clínica e Plataforma OcupacionalConteúdo informativo sobre saúde e segurança do trabalho. Para o caso da sua empresa, fale com um de nossos profissionais.