Como funciona o afastamento pelo INSS
Nos primeiros 15 dias de afastamento por doença ou acidente, quem paga o salário é a empresa. A partir do 16º dia, se a incapacidade continuar, o empregado é encaminhado ao INSS para requerer o benefício por incapacidade temporária, conhecido popularmente como auxílio-doença.
Durante o benefício, o contrato de trabalho fica suspenso. Quando a perícia conclui que a pessoa recuperou a capacidade, ou quando termina o prazo fixado para o benefício, o segurado recebe alta e deve se reapresentar ao empregador.
Exame de retorno é obrigatório depois da alta
Como o afastamento previdenciário sempre ultrapassa 30 dias somados ao período pago pela empresa, ou fica muito próximo disso, o exame de retorno ao trabalho previsto na NR-7 é necessário antes de o empregado reassumir a função. A alta do INSS não substitui o exame ocupacional: a perícia avalia a capacidade para o trabalho de forma geral, enquanto o médico do trabalho avalia a aptidão para aquela função específica, com os riscos daquele posto.
Por isso, a orientação é que o trabalhador, ao receber a comunicação de alta, entre em contato com o RH imediatamente. A empresa agenda o exame e o empregado comparece levando a carta de decisão do INSS, relatórios médicos e exames recentes.
Quando o médico do trabalho discorda da perícia
Uma situação comum é o INSS dar alta e o médico do trabalho concluir que o empregado ainda não tem condições de voltar à função. Esse cenário ficou conhecido como limbo previdenciário ou limbo trabalhista-previdenciário: o trabalhador não recebe benefício nem salário.
Os tribunais trabalhistas têm entendido, em muitos casos, que a empresa não deve simplesmente impedir o retorno e deixar o empregado sem renda. As alternativas costumam incluir readaptar o trabalhador em atividade compatível com suas limitações, mantendo o salário, enquanto ele recorre da decisão do INSS, ou apoiar o pedido de reconsideração e recurso administrativo. Cada caso tem particularidades jurídicas, e a empresa deve buscar orientação de um advogado trabalhista antes de decidir.
- Registrar por escrito a avaliação do médico do trabalho e os motivos da inaptidão.
- Avaliar, com o médico do PCMSO, se existe função compatível para readaptação.
- Orientar o empregado sobre o recurso ou novo requerimento junto ao INSS.
- Documentar todas as comunicações com o trabalhador.
E quando o empregado não se apresenta
Também acontece de o trabalhador receber alta e não comparecer à empresa. Nesse caso, o RH deve convocá-lo formalmente, por meios que comprovem o envio e o recebimento, e registrar as tentativas de contato. A ausência injustificada prolongada pode ter consequências contratuais, mas a análise sobre abandono de emprego deve ser feita com apoio jurídico.
Acidente de trabalho e estabilidade
Se o benefício recebido foi o acidentário, concedido por acidente de trabalho ou doença ocupacional, a legislação previdenciária garante ao empregado estabilidade provisória de 12 meses após a cessação do benefício. Isso reforça a importância de um retorno bem conduzido, com exame adequado, ASO de retorno e, se necessário, adaptação do posto.
Em Goiânia, onde há forte presença de construção civil, indústria e logística, esse tipo de retorno é frequente. Um planejamento simples, com controle das datas de alta e agenda reservada para o exame, evita que o empregado fique dias aguardando sem definição.
Como a clínica pode ajudar
A Clínica e Plataforma Ocupacional, na Av. T-63, nº 1981, no Nova Suíça, realiza exames de retorno ao trabalho e apoia empresas na gestão de afastamentos. O agendamento pode ser feito online ou pelo WhatsApp (62) 3661-0052.
Perguntas frequentes
Posso voltar a trabalhar no dia seguinte à alta do INSS?
Você deve se apresentar à empresa logo após a alta, mas só reassume a função depois do exame de retorno ao trabalho, que define se está apto.
O ASO de retorno pode dar inapto mesmo com alta do INSS?
Pode. São avaliações diferentes. Nesse caso, a empresa precisa decidir, com apoio médico e jurídico, como tratar a situação, evitando deixar o trabalhador sem salário e sem benefício.
O que levar no exame de retorno após o INSS?
A comunicação de decisão do INSS, relatórios e atestados do médico que acompanhou o tratamento, exames recentes e documento com foto.
Quem tem direito a estabilidade após o INSS?
O empregado que recebeu benefício acidentário, ligado a acidente de trabalho ou doença ocupacional, tem estabilidade provisória de 12 meses após o fim do benefício. Em caso de dúvida, consulte um advogado trabalhista.